RECLAMANDO
Muitas vezes ouvi o abençoado Padre João Bachmann anunciando que ia levar um grupo de peregrinos de Blumenau e do Vale do Itajaí para visita à Terra Santa. Não sei se ele organiza por conta própria ou com alguma operadora de turismo. Jamais escutei qualquer reclamação e ele prepara a sua 13a peregrinação. Não foi o que ocorreu com fiéis que se inscreveram e pagaram viagem em grupo de turismo religioso, que tiveram prejuízos de até 85 mil reais com cancelamentos e falta de reembolso. Os pacotes de peregrinação internacional não passaram do sonho religioso e os que se sentem enganados reclamam da empresa Peregrina Brasil Turismo, de São Paulo, que se anuncia como operadora de turismo com mais de 10 anos de experiência. A verdade é que tem muita gente chorando pitangas no portal Reclame Aqui. A empresa publicou depoimentos de pessoas elogiando os roteiros, hotéis e restaurantes. Eu prefiro acreditar nos que estão reclamando.
INDÚSTRIA
Nas minhas elocubrações a respeito da política brasileira cheguei à ideia que quero dividir com meus leitores. Precisamos acabar com esta briga de esquerda e direita, que está dividindo famílias e afastando amigos. Quero propor que passemos a polêmica para nova nomenclatura, que por sinal, já existe. Conservadores e progressistas. Desde o tempo em que o Brasil era Império, os conservadores dominam o poder legislativo. Querem manter o “status quo” que sempre foi benéfico para a elite. Aos progressistas cabem alguns avanços, como a abolição da escravatura, o direito a férias anuais, limite das horas de trabalho, fim do dote para casamentos, quotas universitárias, vagas exclusivas para deficientes e a criminalização dos estupros, tão comuns nas fazendas da era colonial, que deram origem às belas afrobrasileiras que receberam o apelido de mulatas. Vamos voltar a conviver em paz, os conservadores batalhando contra mudanças substantivas e os progressistas felizes quando conseguem algo, como poder ganhar até 5 mil reais e não pagar imposto de renda. No fundo, os conservadores, empresários, também serão beneficiados, porque os isentos terão dinheiro para comprar mais em suas lojas, que serão reabastecidas pela indústria.
DIPLOMÁTICA
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, foi eleito por uma união de parlamentares que vai de uma extrema à outra. Então fica dando uma no prego e outra na ferradura, querendo agradar aos dois lados. Está se dando muito mal, porque nem esquerda, nem direita estão contentes com seu desempenho. Vai passar para a história brasileira como o mais fraco que já dirigiu os trabalhos na casa legislativa. Depois da trapalhada do caso Carla Zambelli, tratou de cassar o mandato do fugitivo Alexandre Ramagem, resistindo à pressão da Oposição, que queria nova votação salvadora para o deputado, para variar, do Rio de Janeiro, onde tudo de mal acontece, sem que o Cristo Redentor possa se mexer para dar um jeito. No mesmo ato cassou Eduardo Bolsonaro, não por falta de decoro parlamentar e sim pela ausência punida pelo regulamento interno, o que permitirá que seja candidato em 2026 e possa ser reeleito. Hipótese difícil de acontecer, porque está sendo caçado, mas não impossível. Uma solução para ele, como há muito tempo os EUA não tem Embaixador no Brasil, buscar a naturalização, falar com o amigo Trump e ser nomeado para o cargo em Brasília. Aí volta deitando e rolando com a imunidade diplomática.
PERSEGUIÇÃO
Para não deixar Alexandre de Moraes ficar apanhando sozinho dos bolsonaristas, o ministro Flávio Dino resolveu entrar em ação e batendo forte. Pegou o tema das 964 generosas Emendas PIX que atingiram 694 milhões de reais e os nababescos desvios de recursos públicos. Determinou a quebra do sigilo bancário dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL. Além deles outros 11 assessores são investigados pela PF e também a empresa Harue Locação de Veículos, por simulação de contratos de serviço. Teve início a Operação Galho Seco com a apreensão dos celulares dos parlamentares e de 430 mil reais em espécie, em endereço de Sóstenes Cavalcante. A investigação, porém, está voltada para documentação, contratos e fluxos financeiros de 2018 a 2024 para comprovar o desvio de verbas, que pode envolver valores muito maiores ao longo do tempo. Os dois suspeitos negam tudo e dizem que estão sofrendo perseguição. Deveriam perguntar: “Por que só nós?” e “Os outros vai deixar escapar?”.
FAMÍLIA
Eu não sou muito favorável às pesquisas eleitorais. Elas, porém. refletem uma situação momentânea. A política é muito dinâmica e os eleitores podem mudar de opinião da noite para o dia. A Atlasintel/Bloomberg andou ouvindo as intenções de votos e na comparação de Flávio Bolsonaro com Tarcísio de Freitas verificou que o filho do ex-presidente fica 6 pontos à frente do governador paulista. No cotejo com Lula, que aparece com 47,9% das preferências, com 21,3% fica mais de 26% atrás. Lula lidera frente a qualquer candidato da direita. Quem melhor se sai é Michelle Bolsonaro, com 30% das intenções de voto, mas que, pelo menos por enquanto, tirou o time de campo e foi cuidar da família.
FERVURA
Os nossos políticos reclamam do STF. Afirmam que os seus membros, com destaque para Alexandre de Moraes, ficam se imiscuindo na área legislativa e instituíram a Ditadura da Toga. Entretanto, qualquer decisão, tomada por maioria, que desagrade este ou aquele, correm para a Suprema Corte. Eu tenho a impressão de que é o que vai acontecer com a Dosimetria. Se o Lula vetar, o Poder Legislativo derrubar o veto e aí, como já anunciaram, PT, PSB, Pcdo B e PSOL, vão recorrer alegando inconstitucionalidade. E aí é mais água na fervura.
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