CARÁTER

 


Promessa é dívida. Prometi que continuaria lendo o que o blumenauense Renato Mauro Schramm escreveu sobre o grande catarinense Lauro Müller. Esqueci de comentar que, depois de passar pela Escola do Mestre Justino, em Itajaí, veio estudar na Deutsche Schule (Escola Alemã), em Blumenau. Não quero puxar a brasa para nossa sardinha porque na sua cidade natal já demonstrava sua sagacidade e inteligência e rapidez mental, com perguntas que deixam o professor Justino de saia justa. Mas, é provável que o que aprendeu aqui também tenha contribuído para a formação do seu caráter.


QUATRIENIO


Apaziguou os ânimos políticos na Terra de Anita Garibaldi e foi eleito governador. Assumiu o Estado em estado de insolvência. Imediatamente fez cortes impiedosos no Orçamento, acabou com privilégios, com energia e desassombro e foi atendido pelo Congresso no seu pedido por leis para incrementar o desenvolvimento. Estava apenas a 40 dias governando quando o presidente Rodrigues Alves o chamou para assumir o importante Ministério da Viação e Obras Públicas. Sinal de que o alemãozinho já tinha imprimido a sua marca na capital federal. Passou o cetro para o Coronel Vidal Ramos, que recebeu as diretrizes e conduziu a coisa pública com sucesso até o final do quatriênio.


HOMENAGEM


Entusiasmo de políticos e desconfiança da elite dirigente, logo todos tiveram que aplaudir. Lauro Muller se revelou administrador excepcional. Convocou homens capazes para auxiliá-lo, como Oswaldo Cruz, Paulo de Frontin e Pereira Passos. Cercou-se de engenheiros e cientistas para a realização das obras públicas. Lançou estrada de ferro desenvolvimentistas, prolongou as ferrovias existentes, levou os Correios e Telégrafos para os pontos mais distantes do nosso território, incrementou a exploração do carvão e aumentou a frota do Lloyd Brasileiro, movimentando a navegação. Em reconhecimento, em 1906, o governo federal fez algo que nunca havia acontecido: mandou cunhar em Paris uma medalha de ouro em sua homenagem.


MODÉSTIA


Planejou, melhorou e construiu portos com cais acostáveis, dos quais o do Rio de Janeiro e o gaúcho de Rio Grande seriam suficientes para imortalizar a sua gestão no ministério. Mas, o seu maior feito foi, sem dúvida, a obra de transformação da cidade do Rio de Janeiro. A Metrópole, pestilenta e suja, foco de febre amarela, universalmente conhecida como porto indesejável e lugar insalubre, tornou-se a mais bela do mundo. Conta-se que, terminadas as obras do porto do Rio de Janeiro, a construtora quis, sem custo, colocar uma estátua de Lauro Müller e ele não aceitou. Efeito da sua conhecida modéstia.


CONCÓRDIA


Esgotado pelo trabalho enervante, Lauro Müller deixou o ministério e foi excursionar pela Europa. Percorreu os principais países, onde foi recebido com honras de Chefe de Estado. Refeito, voltou ao Senado preocupado com as questões ligadas ao desenvolvimento econômico e às finanças. O Marechal Hermes da Fonseca, presidente da república, foi buscá-lo para assumir a pasta das relações exteriores, vaga com a morte do Barão do Rio Branco. Ao assumir declarou: “Sucedo-lhe sem substituí-lo”. Quis foi continuar a obra do Itamaraty no fortalecimento da paz americana. Desfez as nuvens escuras da perspectiva de conflito entre Brasil e Argentina. Demoveu as prevenções e animosidades forjada pelo capitalismo estrangeiro interessado na venda de armas. Reduziu as rivalidades entre os dois países, à esfera dos seus legítimos interesses, sem veleidades de impor predomínio a quem quer que fosse. Desfradou sobre o continente americano a bandeira da paz e da concórdia.


JUSTIÇA


Solucionou também a última pendência dos limites com o Uruguai. Somente quem dispusesse do gênio dos verdadeiros diplomatas, comentou Ruy Barbosa, poderia ter levado a cabo semelhante missão. Wencelau Braz sucedeu ao Marechal Hermes da Fonseca e o manteve nas relações exteriores. Em 1914 eclodiu a guerra contra a Alemanha e, por causa da sua ascendência alemã, passou a ser chamado de germanófilo. De nada valeram os relevantes serviços prestados à Nação. Sua lealdade e gestos patrióticos foram esquecidos. Amargurado pela campanha movida pela imprensa contra a sua continuidade no ministério, pediu demissão e voltou para a sua cadeira de senador, que lhe fora confiada pelo povo catarinense. Uma das frases que sempre repetia: “Quem nasce no Brasil ou é brasileiro ou é traidor”. Não foi preciso decorrer muito tempo para aqueles que o atacaram Lauro Müller viessem confessar o seu erro e fazer a devida justiça.


MUNICÍPIO


Em 1917 teve que voltar a Florianópolis para resolver na Convenção do Partido Republicano a disputa entre Abdon Batista e Hercílio Luz, que ameaçava a tranquilidade da família catarinense. Teve que aceitar a candidatura de governador. Foi eleito pela terceira vez. Não assumiu, como havia combinado, passando o governo para Hercílio Luz. Ainda em 1917 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, para ocupar a cadeira do Barão do Rio Branco, que havia falecido. General de divisão, engenheiro, deputado constituinte, governador e ministro. Não é por menos que Lauro Müller é nome de ruas, praças e de um município.


MARAVILHOSA


Despois de cinco anos de indecisão, o IBAMA deu autorização para a Petrobras perfurar o solo marítimo a 500 quilômetros da Bacia do Rio Amazonas e 175 quilômetros do Litoral do Amapá em busca de verificar se o volume de petróleo é realmente compensador. A permissão acontece poucos dias antes da COP-30. A justificativa é que o Brasil desenvolveu tecnologia para a extração de petróleo em águas profundas tão segura que já conquistou cinco prêmio, considerados o Oscar Petrolífero. Se for para o nosso bem, já que as nossas reservas estão em declínio e o petróleo vai continuar sendo utilizado em grandes quantidades, mesmo sendo reduzido como combustível, que a quantidade existente nos permita continuarmos sendo grandes exportadores. Em 2024 importamos 8,7 bilhões de dólares e exportamos 44,8 bilhões, com um saldo positivo de 36,2 bilhões no item petróleo. Em 8 anos, quando há a hipótese de produção, nosso PIB poderá crescer como o da Guiana. Pode ser a nossa Lâmpada Maravilhosa.


BRAGANTINO


Na noite de segunda-feira foi concluída a 29a rodada do Brasileirão com 3 jogos. No clássico carioca Vasco x Fluminense a vitória sorriu para os vascaínos, com 2 a 0. O Gigante da Colina passou na frente do São Paulo e agora é o oitavo colocado. O Vitória parece que está se recuperando e é capaz de escapar do descesso. Ganhou de 1 a 0 do Santos, na Vila Belmiro. E o Juventude fez as pazes com a vitória ao derrotar, em Caxias do Sul, por 1 a 0 o Bragantino. 

 

MASCOTE


Na quarta-feira as semifinais da Libertadores. Se o Flamengo passar pelo Racing e o Palmeiras pela LDU, tal qual aconteceu em 2021, teremos na final um confronto dos brasileiros. Domingo a torcida flamenguista vaiou o palmeirense Andreas Pereira, toda vez que pegou na bola, porque não o perdoa pela infelicidade de chutar o chão e perder o balão de couro, que estava dominado e na linha intermediária da sua defesa, que havia avançado, o que possibilitou Deyverson roubar a esférica, correr livre para a área e marcar o gol do título, na prorrogação. Com 1 a 1 no marcador, a decisão no Estádio Centenário, em Montevidéu, estava marchando para os pênaltis. Há 5 anos o Urubu não perdia para o Periquito, que em 1969 passou a ser chamado pejorativamente de Porco por rivais e adotou o apelido que se tornou seu principal mascote.


 


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