SAUDADE

 


Vasculhando minha papelada encontrei missiva do meu saudoso amigo Enéas Athanázio, datada de 25 de Janeiro de 2025. Vou reproduzir o texto, não por vaidade, mas pelo final do seu conteúdo. O escritor me disse: “Prezado Pimpão: Animado pelos seus comentários sobre meu Livro Sobre Livros”, envio-lhe outro exemplar da série. Nele abordei nada menos que 50 autores catarinenses, muitos deles caídos no completo ostracismo e de cuja existência nem se lembrava mais. Foram horas e horas de leituras, buscas e pesquisas porque a crítica literária é quase inexistente entre nós, entregue ao mais solitário dos ofícios – o do escritor. Espero que também seja do seu agrado. Admiro a sua produtividade e o amplo círculo de suas informações. É um homem “em cima” do seu século. Meus parabéns! Vocé é um homem da palavra, da TV e do rádio. Como se afastou da primeira, sugiro a criação de uma rádio. Sinto saudade das nossas entrevistas. Com este recado, pense nos nossos escribas e não deixe morrerem os nossos mortos. Grande abraço do Enéas”. Penso nos nossos escribas e o primeiro morto que não vou deixar morrer é o próprio contista regional que deixou saudade.


SENADOR


Atendendo ao pedido dele, vou a “Apego à Terra” em que comenta: “Como tantos catarinenses, Carlos da Costa Pereria (1890/1967) anda muito esquecido, a ele não ouvindo referências. Foi no entanto, uma figura admirável e de destaque nos meios culturais e literários de nosso Estado. Nascido em São Francisco do Sul, onde passou quase toda a sua vida, foi um autodidata que à custa de muito empenho e esforço amealhou vasto conhecimento em vários campos da cultura. Foi jornalista, contista, cronista, ensaista, historiador e tradutor, tendo fundado e dirigido jornais, além de ter escrito com assiduidade para muitos outros, tanto da cidade natal, quanto de Joinville e Florianópolis. Ocupou diversos cargos públicos, inclusive o de diretor da Biblioteca Pública Estadual, função que na época mantinha o status de secretário estadual e que foi ocupada por outras figuras de relevo. Foi também suplente de senador”.


CATARINA


Carlos da Costa Pereria se caracterizava pelo imenso amor à terra natal, o que o levava a retornar a ela assim que se desincumbia das missões. Era na antiga cidade ilhoa que se sentia bem, no contato com a família e os amigos, palmilhando as velhas ruas estreitas e as curvas que tão bem conhecia. Cadeira número 4 da Academia Catarinense de Letras e diretor da revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.


SUL


Sem contar seus trabalhos jornalísticos, destaca-se de suas obras: “Um capítulo da expansão bandeirante”, “O nascimento de Frei Fernando Trejo & Sanabria em São Francisco”, a pedido do governador Nereu Ramos, “Toponímia antiga da costa do Brasil”, “Um ponto controverso da história”, “A Revolução Federalista de 1893 em Santa Catarina”, “Riscos e Traços”, “Traços da vida da poetisa Júlia da Costa” e “História de São Francisco do Sul”.


DOMINAVA


No campo da tradução são citadas: “Viagem à Província de Santa Catarina” e “Viagem à Comarca de Curitiba”, ambas de Auguste de Saint Hilaire, e “A Província de Santa Catarina e a colonização do Brasil”, de Léonce Aubré, vertidas do francês, idioma que dominava.


PASSADO


Minhas Memórias”, pequeno volume em que reuniu suas reminissências, revela um homem estudioso, integrado no seu meio, bem humorado e feliz. Dotado de memória invulgar, minucioso e atento nos relatos de sua vida, traça um panorama preciso de São Francisco do Sul de dantes, desde os tempos anteriores à estrada de ferro e do auge da exportação da erva mate até épocas mais modernas. Evocou lugares, estabelecimentos, pessoas e fatos envoltos na bruma do passado.


RELIGIÕES


A inclinação para as letras manifestou-se bastante cedo e logo começou a escrever. Lia de tudo, com intensa curiosidade. Lia contistas, historiadores, ficcionistas, poetas, exploradores, aventureiros, pensadores, gramáticos, dicionaristas. Não foi um intelectual de gabinete, de janelas fechadas para o mundo. Participava da vida em família, das festas e troças com amigos e dos eventos de sua cidade. O capítulo dedicado ao amigos é dos mais interessantes do livro de memórias, manifestando ternura e saudade. Não faltaram também alguns inimigos, porque como diz o povo “homem que é homem terá por força alguns desafetos. Deixou o catolicismo caseiro, fez-se protestante, tentou o espiritismo e acabou livre pensador, isento de qualquer credo específico. Este foi o Carlos da Costa Pereira, que se interessou pela botânica, astronomia, entomologia e religiões.


DIREITA


Da cultura para o esporte. Em Chapecó o a Chapecoense derrotou o Brusque por 3 a 0 e conseguiu a classificação para a final contra o Barra. - No Rio o Fluminense ganhou a primeira partida semi-final do Vasco por 2 a 1 e derrubou o treinador Fernando Diniz. O Flamengo, que saiu vaiado de campo no final do primeiro tempo, com 0 a 0 contra o Madureira, na segunda etapa e mudanças de jogadores conseguiu a goleada por 3 a 0. Quinta-feira vai tentar reverter o fracasso de Buenos Aires, quando perdeu do modesto Lanús por 1 a 0, na decisão da Recopa Sul-Americana. - Em São Paulo, dos 4 grandes, só o Santos pifou e está fora das semifinais do campeonato paulista. Com Neymar e tudo, perdeu do Novo Horizontino, que se classificou e vai enfrentar o Corinthians, que só conseguiu chegar lá na cobrança dos pênaltis contra a Portuguesa. A torcida do Timão sofreu até os 48 minutos da segunda etapa, perdendo em casa de 1 a 0. Aí veio o gol de empate que levou a decisão para as penalidades máximas e explosão de alegria com a vitória por 8 a 7. - No Paraná, o Coritiba já havia sido eliminado pelo Operário de Ponta Grosssa. No domingo o Londrina foi a Curitiba venceu o Athlético por 1 a 0 e o titulo vai ser decidido por duas equipes do interior, tal qual em Santa Catarina. - No Rio Grande do Sul deu o de sempre: Grêmio e Internacional na final. O Inter goleou o Ypiranga de Erechim por 4 a 0 e o Grêmio sofreu em Caxias do Sul. Perdia do Juventude de 1 a 0, mas conseguiu o empate no segundo tempo. Na cobrança dos pênaltis o goleiro Weverton defendeu o prime1iro e o segundo chute chocou-se contra o travessão. Os gremistas foram mais eficientes e venceram por 4 a 1.

Os campeonatos estaduais a toque de caixa por causa das competições internacionais, bem mais lucrativas. “Business is business”, como dizem nossos amigos da terra do maior líder da direita.

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