TRÂNSITO

 


A Prefeitura de Blumenau comunicou que a partir desta segunda-feira, até 12 de Janeiro, um trecho da Rua 2 de Setembro estará totalmente interditado. A interdição ocorrendo entre o cruzamento das ruas 2 de Setembro e 1o de Janeiro até o Trevo da Parada 1, que conecta as ruas Engenheiro Udo Deeke e Dr. Pedro Zimmermann. O bloqueio é motivado pelas obras de drenagem e o início da pavimentação, além de serviços na área da Ponte Santa Catarina. Os motoristas que circulam pela região Norte devem ficar atentos para as mudanças no trânsito.


BLOQUEIOS


O comportamento humano é verdadeiramente ambíguo. Aqui no Brasil, aqueles que na frente dos quartéis pediam a volta da ditadura militar estão aplaudindo a derrubada do ditador da Venezuela. Os que aplaudiram a ação resoluta do ministro Alexandre de Moraes, que impediu o Golpe de Estado e garantiu a Democracia, estão contra a invasão norte-americana, que levou preso Nicolás Maduro e a mulher. A verdade é que a Democracia, apesar das mazelas, é o melhor regime político e que a Ditadura já tem dura no nome. É aplaudida pelos beneficiados e dura para os que se opõem e são presos, sem julgamento, e podem até desaparecer. A Folha de São Paulo comenta que Donald Trump escolheu nome leal a Maduro para liderar a Venezuela. Que os americanos enxergam em Delcy Rodriguez, vice do ditador, flexibilidade e capacidade para estabilizar a economia do país. Que ela consolidou controle sobre política econômica e construiu pontes com elites, investidores estrangeiros e diplomatas. Tomara que a escolha tenha sido certa e que a Venezuela possa viver em paz e sem bloqueios.


OCIDENTE


Meu falecido amigo Pedro Nelson Antunes foi diretor de uma multinacional e viveu um tempo na Venezuela. Contou-me que Caracas tem uma parte alta, onde viviam luxuosamente os norte-americanos das petroleiras, e uma parte baixa, onde viviam na pobreza os venezuelanos. Foi o motivo do sucesso de Hugo Chaves, que estatizou as refinarias, criando o chavismo, do qual Maduro foi o herdeiro. Cuba, por seu turno, era o Parque de Diversões dos norte-americanos ricos, que iam para a ilha beber rum, dançar rumba e faturar as cubanas. Foi o que motivou o êxito da revolução de Fidel Castro. Donald Trump, que tem uma mansão na Flórida, bem perto, pode estar pensando em também promover nela a mudança, a volta da Cuba Libre. Algo mais fácil do que tornar o Canadá o 51o estado norte-americano ou a anexação da Groenlândia, para garantir a segurança dos EUA, argumento usado pela Rússia para tomar à força território ucraniano. Política que pode estimular a China a pegar de volta Taiwan, a China Nacionalista, pró Ocidente.


COMUNICARAM


Os ingleses, que já foram donos do mundo, com territórios na Europa, Ásia, América, África e Oceania, foram cruéis dominadores e tinham até os Piratas da Rainha, que saqueavam navios de outros reinos. Eram tão impiedosos que, em 1942, não permitiram que atracasse nos portos da Índia o navio que vagava pelo Mar Arábico carregando 740 crianças órfãs polonesas como um caixão flutuante. Eram sobreviventes dos campos de trabalho soviéticos, onde seus pais haviam morrido de gripe ou de fome. Elas haviam escapado pela rota do Irã, mas ninguém as queria. Estavam condenadas à morte, pois a comida estava no fim e não havia remédios a bordo. O Império Britânico, a maior potência da época, que controlava os portos, o comércio e o exército, recusou acesso aos atracadouros da costa indiana. “Não é nossa responsabilidade. Sigam adiante” foi o que comunicaram.


CAMINHAR


A notícia chegou ao pequeno palácio de Gujarat, que pertencia ao Marajá de Nawanagar, Jam Sahib Digvijay. Ele fez uma pergunta aos conselheiros: “Quantas crianças?” Quando ouviu 740 fez uma pausa e disse calmamente: “Os britânicos podem controlar meus portos. Mas não controlam minha consciência. Essas crianças vão atracar em Nawanagar”. Ia desafiar os dominadores. Mandou mensagem para o navio: “Vocês são bem vindos aqui”. Quando as autoridades britânicas protestaram, manteve-se firme: “Se os fortes se recusam a salvar as crianças, eu que sou fraco, farei o que vocês não fazem”. Em Agosto de 1942, sob o sol escaldante do verão, as crianças desceram esquálidas e tão fracas, que nem conseguiam caminhar.


ESTUDAR


O Marajá esperava no cais. Vestido simplesmene de branco, ajoelhou-se para ficar à altura dos olhos delas. Com a ajuda de intérpretes disse palavras que não ouviam desde a morte dos pais: “Vocês não são mais órfãos. Agora vocês são meus filhos. Eu sou o Bapu (pai) de vocês. Ele não construiu um campo de refugiados. Deu-lhes um lar. Em Balachadi criou uma pequena Polônia na Índia. Professores poloneses, comida polonesa temperada com memória. Canções polonesas num jardim indiano. Uma árvore de Natal sob céu tropical. “O sofrimento tenta apagar quem você é”, dizia ele. “Mas sua língua, cultura e suas tradições são sagradas. Vamos preservá-las aqui.” As crianças voltaram a rir, a brincar e a estudar.


INGLÊS


O Marajá as visitava com frequência. Sabia nomes. Celebrava aniversários. Assistia às peças escolares. Consolava as que choravam de saudade dos pais que jamais voltariam. Pagava médicos, professores, roupas e comida com dinheiro do seu próprio bolso. Por quatro anos, enquanto o mundo era abalado pela guerra, 740 crianças viveram não como refugiadas, mas como uma família. Quando a guerra terminou e chegou a hora de partir, muitas choraram. Balachadi se tornara o único lar verdadeiro que conheceram. Elas cresceram e se espalharam pelo mundo. Tornaram-se médicos, engenheiros, professores, pais, avós. E nunca esqueceram. Na Polônia existe a Praça do Bom Imperador, escolas levam seu nome e recebeu a maior honraria do país. Mas o monumento original não foi feito de pedra. Foi feito de 740 vidas salvas. De pedra era o coração inglês.

Comentários

  1. Por outro lado os ingleses salvaram centenas de crianças judias dos campos de concentração perto do lago de Windermere. Essas crianças depois se espalharam pelo mundo, mas se sentiam como uma família. As crianças de Windermere.

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