GALINHAS
A Polícia Civil de Santa Catarina excluiu do concurso para delegado a advogada Lays Lopes Carneiro Barcelos, de 32 anos. Motivo: casada com condenado por tráfico e associação criminosa. O Tribunal de Justiça catarinense manteve a exclusão, justificando que o cargo exige padrões rigorosos de conduta. O caso foi parar no STF e o ministro Flávio Dino concedeu liminar para que volte ao concurso porque, na sua opinião, “a exclusão poderia causar dano grave e de difícil reparação, diante dos anos de estudo e dedicação”. O delegado-geral barriga-verde, Gabriel Ulisses, questionou a decisão: “Como se combate o crime dessa forma?”. Não sei se o ministro se estribou em texto constitucional. Como não sou advogado, meu julgamento é emocional. Acho que a liminar se compara a colocar raposa para cuidar das galinhas.
QUALIDADE
Em termos de safadeza, ninguém supera a criatividade dos brasileiros. Como a Polícia Federal está antenada quanto ao contrabando de vinho da Argentina, os malandros encontraram produtos mais fáceis de enganar a fiscalização: Em Setembro, caminhão foi pego transportando carga completa de lixo reciclável compactado. Vinham dos Hermanos alumínio, plástico, papelão e outras coisas para aproveitamento industrial. Em 11 de Novembro, a PF e a PM de Santa Catarina apreenderam, em Barracão, caminhão vindo da Argentina com 40 toneladas de baterias velhas, até derramando resíduos perigosos para a saúde e o meio ambiente. Se duvidar o lucro é até maior do que com Malbec e Cabernet de qualidade.
DECIDIR
Houve uma manifestação na COP-30 de indígenas, ribeirinhos, estudantes e membros de movimentos sociais. Alguns desordeiros, infiltrados, partiram para a ignorância e quebraram aparelhos de ar condicionado e outros objetos. A ONU mandou carta para o presidente da conferência criticando a segurança. Na manhã desta sexta-feira aconteceu uma nova manifestação. Desta vez só dos indígenas e pacífica de verdade. Eles querem uma reunião com o presidente Lula para protestar principalmente contra a mineração, a construção da Ferrogrão, decretos ou planos que ameaçam seus territórios e cobram maior participação na COP-30. Eram cerca de 100 participantes do povo Munduruku e a manifestação terminou após o diálogo com a CEO da Cúpula da ONU, Ana Toni, e com o presidente da COP-30, embaixador André Corrêa do Lago, que se comprometeram a agendar uma reunião com as ministras Marina Silva e Sonia Guajajara, para ouvir as demandas do grupo. Índio não quer apito. Índio quer falar, discutir e decidir.
PERIGOSAMENTE
Na noite de quinta-feira, três explosões consecutivas destruíram uma casa no bairro Tatuapé, em São Paulo. Elas foram tão fortes que quebraram as vidraças do McDonalds, localizado na frente, danificando também um posto de gasolina e outros 23 imóveis. Nos escombros foi encontrado o corpo carbonizado de um homem, provavelmente o armazenador irregular de fogos de artifício. Encontrado ainda material para cangalhas, que da indício de que ali também eram fabricados balões, outra ilegalidade. 10 pessoas que se encontravam na imediações foram feridas por estilhaços e nove veículos também foram atingidos, um deles por portão que voou pelos ares. E ainda há os que dizem que é gostoso viver perigosamente.
PUJANTE
Quando vivi na Alemanha, tive a oportunidade de conhecer e conversar com vários políticos importantes, como Helmut Schmidt, que era o chefe do governo, primeiro-ministro que eles chamam de “Bundeskanzler”. Foi dele que ouvi uma frase que me impactou e nunca esqueci. Opinou que é importante uma inflação de 5% ao ano porque fomenta os investimentos. Como os juros deles eram de 3% ao ano, investir na própria empresa ou em ações era melhor negócio do que aplicar em poupança. Não é o que pensam os nossos economistas do Banco Central, que mantém os juros em 15% reclamando que a inflação precisa cair de 4,5 para 3% como é a meta fiscal. A conclusão a que cheguei é que a nossa meta é muito baixa e do jeito que a Taxa Selic está, aumenta a dívida governamental e quem tem dinheiro prefere viver dos juros. Como não sou economista, não sei se estou dizendo besteira. Também não sei se o Helmut Schmidt estava errado na condução da economia alemã. O que sei é que a Alemanha era pujante.
CARIOCA
Quem criou a expressão “Bandido bom é bandido morto” foi o delegado de polícia José Guilherme Godinho Ferreira (Sivuca) (1930-2021) na campanha eleitoral de 1986, no processo de redemocratização pós-ditadura militar. Ele se candidatou a deputado estadual do Rio de Janeiro e não foi eleito. Dois anos depois tentou cadeira na Câmara de Vereadores do Rio e novo fracasso. Em 1990 conseguiu realizar a sua ambição eleitoral. Concorreu pelo PFL, que se originou da Arena, que sustentava a ditadura e hoje é o União Brasil. Foi eleito deputado estadual e reeleito em 1994. Como parlamentar complementou o seu bordão “Bandido bom é bandido morto” acrescentando: “E enterrado de pé para ocupar menos espaço”. Sivuca, na década de 1960, fez parte da “Scuderie Detetive le Cocq”, primeiro grupo de extermínio da polícia carioca.
ESTRANGEIRO
Há muitos anos, as formigas saúva estavam destruindo nossas plantações e foi lançada a campanha: O Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil. Agora o ex-ministro Aldo Rebelo, que se tornou comentarista político da Band, lançou outro desafio: Ou o Brasil acaba com as ONGs ou as ONGs acabam com o Brasil. Denunciou que elas recebem muito dinheiro de fora do país, para atrapalhar o nosso desenvolvimento. Na minha opinião, não foram poucos os malandros que se lançaram na criação de organizações não governamentais para a educação, o esporte, a saúde, e a justiça social que estão enchendo os bolsos e ainda reclamando que o governo federal não ajuda. Elas surgiram no período de pós-Segunda Guerra Mundial e a ONU usou o termo pela primeira vez em 1950, para mencionar o modelo que se consolidou pela necessidade de organizações sociais complementarem a atuação do Estado. Hoje substituíram a Aliança para o Progresso e o Auxílio ao Desenvolvimento, instituições dos países ricos para domínio político e exploração econômica das nações pobres. Só é preciso descobrir se as ONGs puramente nacionais não são piores do que as mantidas com dinheiro estrangeiro.
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