OCEANIA

 


Antes concluir a viagem espacial para Marte, uma notícia esportiva. No Torneio Aberto de Tênis de Melbourne, na Austrália, em uma hora e meia, a brasileira Bia Haddad derrotou a russa Erika Andreeva, por 2 “sets” a 0 (6/2 e 6/3) e passou para a terceira fase. Já o João Fonseca foi derrotado pelo italiano Lorenzo Sonego por 3 a 2, com a parciais de 6/7, 6/3, 6/1, 3/6 e 6/3. A partida teve a duração de 3 horas e 37 minutos. João Fonseca foi eliminado e acabou a nossa alegria pelo seu desempenho na Oceania.


TRANQUILO


A viagem para Marte prosseguiu com o Coronel Saene puxando a sardinha para a sua brasa. “Marte pratica a melhor e mais avançada ciência médica do Universo e domina as mais sofisticadas técnicas de intervenções cirúrgicas. Nossos médicos realizam curas impensáveis e numerosas doenças que afligem os terráqueos foram erradicadas do nosso planeta. Salvo nos casos em que o tratamento é tardio, ninguém morre das mais graves doenças. Endemias e pandemias que matam tantas crianças na Terra, em nosso meio são desconhecidas. Estou certo de que o senhor será curado. Fique tranquilo.”


ASSUSTADORA


Voltando ao tema viagem, o Coronel Saene explicou: Diante da grande velocidade, os dias e as noites irão se sucedendo na sua janela. O senhor verá seres estelares de cuja existência jamais imaginou. Olhando para a abertura da esquerda ainda poderá ver a Terra. E ela é mesmo azul, como afirmou Yuri Gagárin. Agora será bom descansar. Seu dia foi estressante.” Lelis se voltou para a janela e ficou observando o panorama espacial. Viu a Terra, bolinha azul girando no ar. Foi tomado por um misto de nostalgia e medo. Será que voltaria? Procurou afastar os pensamentos e se concentrou naquele mundo estranho. Viu cometa, planetas, meteoritos e asteroides que se moviam no espaço. Que inteligência os guiava? Como é que a nave marciana transitava sem colidir? Cansado de tantas emoções acumuladas, relaxou e acabou adormecendo enquanto dias e noites se sucediam em velocidade assustadora.


MARTE


Na Terra, na Clínica Renal, acabava o primeiro turno de diálises. A enfermeira levantou o cobertor que cobria Lelis Laranjeira e soltou um grito de espanto. Sobre a poltrona apenas as roupas que trajava, um gorro, os sapatos e a carteira. Como conseguiu sair sem ser visto? A direção e os médicos foram chamados. Ligaram para a esposa e ela não tinha notícia do marido. Pensou que fosse um trote. Decidiram ligar à polícia e informar do desaparecimento. Jamais poderiam imaginar que ele estava indo no rumo de Marte.


INTENSIDADE


A vida a bordo era de monotonia suportável. Lia, escutava música, dormia, contemplava o firmamento e se surpreendia com a variedade de corpos celestes vagando no éter. Moviam-se para frente e para trás, para baixo, para cima e para os lados. Giravam em torno do seu próprio eixo ou circundavam outros astros. Nos dias de diálise um enfermeiro o buscava e na enfermaria encontrava outros pacientes que a nave transportava de outras nações ou planetas. Pouco falavam, mas captava fiapos de idiomas estranhos. Tinha alguns aparelhos de ginástica, nos quais se exercitou para não enferrujar. A monotonia começava a cansar quando sentiu que a nave ia pousar. O ruído do ventilador diminuiu de intensidade.


ACONTECERIA


O Coronel Saene reapareceu. “Seja bem-vindo a Marte! A viagem transcorreu em absoluta ordem e no tempo preciso. Agora o senhor será conduzido ao aposento que lhe foi destinado e logo farão contato. Foi um prazer tê-lo conosco.” Sem ruído, imensa porta se abriu e teve a primeira visão do Planeta Vermelho. Não havia aeroporto, porque o Martinês ficava flutuando pouco acima do solo. Acesso por escada rolante. Não viu árvores, nem vegetação. Parecia um deserto com pedras arredondadas. Havia um prédio branco construído em linhas retas e muito baixo. Mais tarde entendeu que a maior parte deles ficava submersa e por isso não era vista da Terra. Havia uma rede de túneis usada por veículos, pessoas e animais. Por isso não eram vistos na superfície. Lelis foi conduzido para o interior e alojado em quarto claro e espaçoso. Caminhou sentindo a satisfação de pisar no chão depois de tanto tempo. Tratou de acostumar-se com a nova realidade, curioso para ver o que aconteceria.


FORTE


Na manhã seguinte um enfermeiro o levou a um imenso hospital e ao consultório do Doutíssimo Marcelino. Este lhe disse que deveria estar se perguntando por que foi escolhido entre milhões de brasileiros. Aí explicou que era pela sua moléstia rara e incurável na Terra e que aparece em outros planetas. Em Marte havia cura, mas também casos resistentes. Por isso queriam comparar e verificar porque isso acontece e se há diferenças entre os enfermos. Após o tratamento, não existindo diferenças, iriam mandá-lo de volta à Terra completamente curado. No tratamento não sentiria dores. Depois de leve sedação o tratamento teve início com enorme aparelhagem desconhecida. Nas semanas seguintes o tratamento prosseguiu e as diálises e doses de medicamentos foram sendo reduzidas. Foi instruído para caminhar bastante e percorreu os túneis. Nunca deparou com o Labirinto da Noite, descoberto pela sonda Mars Express, muito comentada pelos nossos astrônomos. Lamentou não ser o primeiro ser humano a conhecer o vale profundo com paredes rochosas íngremes. Em compensação sentia-se bem, revigorado e forte.


QUISER


Numa manhã bateram à sua porta. Eram o Doutíssimo Marcelino, o Coronel Saene e mais um militar que se apresentou como Coronel Razec. Marcelino tomou a palavra: “Dr. Lelis Lranjeira! É com prazer que lhe trago notícia auspiciosa. Seu tratamento foi bem sucedido e o senhor está totalmente curado. Graças aos testes entre os seus problemas e de outros doentes conseguimos curar aqueles casos que nos desafiavam. Nos prestou grande ajuda que nunca será esquecida”. Razec informou: “Dentro de 3 dias partiremos com a Martinês II, a maior e mais moderna do Universo, sob meu comando. Levaremos 21 meses, tempo mais longo do que a vinda, porque a Terra e Marte mudaram suas posições e teremos que deixar alguns passageiros em outros planetas. O senhor não poderá levar qualquer objeto de Marte. Será um prazer devolvê-lo à sua gente”. Lelis agradeceu e não conteve as lágrimas de emoção. O retorno foi lento e tranquilo. Depois do sumiço de 5 anos estava de volta em casa e na Clínica Renal sendo recebido com surpresa. Deu mil explicações, que ninguém acreditava, pois não tinha uma prova da estada em Marte. Duvidavam da sua sanidade mental. A Clínica Renal realizou acurados exames e constatou que ele estava mesmo curado. Tinha apenas pequenas cicatrizes que pareciam feitas por instrumentos cirúrgicos. Lelis Laranjeira não cansava de repetir: O que importa é que estou curado. Quanto ao restante, acredite quem quiser.


Ponto final no “Livro sobre livros” de Enéas Athanázio. Vou fazer o que todos os brasileiros deveriam me imitar: leitura de outros livros. Será a hipotética conversa com Ingo Hering e O Dom de Casmurro.

 

NOME


Não posso finalizar sem comentar sobre o susto que levaram os que estavam no edifício Califórnia Center, na Rua Amadeu da Luz, em Blumenau. Todos sentiram um tremor e o prédio foi rapidamente evacuado, pelos elevadores e pelas escada. Foi uma hélice que quebrou na torre de refrigeração e que provocou a sensação de abalo. Mas as estruturas continuam sólidas e não há riscos. Um mecânico recebeu a incumbência de ir à torre de refrigeração e fazer o conserto. Quando foi inaugurado, na década de 1990, era considerado o mais luxuoso edifício de escritórios da cidade. Também provocou discussões porque teve a licença para ser construído no que deveria ser o prolongamento da Rua Getúlio Vargas, para chegar até a FURB. Sendo Califórnia Center seria triste se fosse atingido por um incêndio, como no estado norte-americano que lhe empresta o nome.


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