LEITORES

 


Volto ao “Livro sobre livros” do meu pranteado amigo Enéas Athanázio, promotor público e promotor de autores catarinenses. Ele começa dizendo que “durante muito tempo as obras memorialistas foram pouco valorizadas. Apontavam os críticos a tendência ao exagero e ao autoelogio dos autores que se entregavam a esses trabalhos. Contribuíram para isso, por certo, as muitas memórias fantasiosas e falsas escritas por personalidades de variadas áreas de atuação. O escritor belga, Georges Simenon, ainda que dotado de indiscutível talento, foi sempre indicado como um exemplo. Suas memórias, cotejadas com os fatos pelos pesquisadores, se revelaram inverossímeis em numerosos aspectos. No entanto, memorialistas sérios e comprometidos com a verdade elevaram as memórias ao status de autêntico gênero literário, hoje valorizado como tal tanto no país como no exterior. Entre nós, avultaram como grandes memorialistas, entre outros, Humberto de Campos, Gilberto Amado e Pedro Nava cujas obras são verídicas e conquistaram considerável número de leitores”.


CEREAIS


Prossegue Enéas Athanázio: “Confesso-me leitor aficionado do gênero, inclusive pela forma agradável de aprender com a experiência alheia. Acabo de ler com muita atenção e prazer o livro “Voz da Montanha”, de autoria do catarinense Adilvo Mazzini, radicado na cidade de Dourados (MS). Nascido no chamado Vale Itoupava, hoje um bairro de Rio do Sul, o autor reconstitui nesta obra a história da sua vida e os acontecimentos que marcaram seus tempos de garoto feliz e livre num ambiente rural sadio, apesar da dureza das atividades da família em busca de afirmação no meio social e no sucesso financeiro. O autor começa relembrando as dificuldades dos imigrantes italianos na chegada ao Vale Itoupava. Muitos vieram iludidos pelas promessas de encontrar uma terra de leite e mel e, no entanto, se depararam com a mataria adusta. Com muito esforço, à custa do machado e da foice, venceram a natureza virgem e transformaram aquele vale cercado pela morraria em lavouras viçosas e férteis. Relata ele a dureza do cultivo da rizicultura, quase sempre trabalhando dentro da água, no inverno e no verão, aplainando o solo com uma zorra puxada por bois ou cavalos. Luta penosa e cansativa diante da qual nunca esmoreceram. Cultivaram também o fumo, o feijão e outros cereais”.


SUSTENTA


E seguem as memórias: “Construíram toscas casas de madeira, elevadas sobre barrotes, mas grandes e confortáveis, onde viviam felizes e alegres. Criavam cavalos de corrida que disputavam nas raias de pistas paralelas, gado, carneiros, porcos, galinhas e, naturalmente, cachorros. Apesar da luta árdua, já na infância, encontraram tempo para estudar e comparecer às festas da região com os cabelos brilhantes de glostora. Recorda com intensa saudade da culinária local, simples e saborosa, feita com capricho e nos moldes tradicionais herdados dos antepassados. A polenta, as massas, a minestra sempre presente na alimentação. Não esquece os instrumentos de trabalho, como o arado, a foice e a foicinha, a máquina de picar trato. Também os meios de locomoção merecem registro: o pachorrento carro de boi, o carretão para cargas pesadas, a carroça, a carrocinha, a charrete ou aranha e a zorra, veículo de madeira sem rodas, puxado de arrastão. A escola das primeiras letras, as festas religiosas, o lazer e a religiosidade inata dos colonos são revividos com carinho e saudade. O conjunto é um completo painel do vale fecundo e um documento importante para melhor conhecer aquele recanto catarinense. Adilvo Mazzini escreveu seu livro ouvindo a voz das montanhas que cercam o seu vale natal e que ecoa nos escaninhos de sua memória. E abriu com sinceridade as tampas da caixinha de recordações. Produziu uma obra sincera e cativante. Como dizia Hemingway: na construção literária a sinceridade é essencial. Sem ela nenhuma obra se sustenta”.


ATRASAR


Pelo custo da alimentação e a carência de tempo para preparar os pratos, os pacotinhos de macarrão que ficam prontos em três minutos estão sendo consumidos cada vez mais. Assim é que a Nissan Foods, multinacional japonesa, está investindo um bilhão de reais para a construção de uma mega fábrica em Ponta Grossa, com 68,2 mil metros quadrados de área construída, numa área de 413,2 mil metros quadrados e que vai empregar 550 trabalhadores. É a terceira fábrica de macarrão instantâneo no Brasil para dar conta do consumo de Nissin Lámen e Cup Noodles. A inauguração está prevista para Abril de 2027. Como é de japoneses não vai atrasar.


QUEBRADOS


Já estou cansado de dizer que nada entendo de economia. Entretanto, volto a afirmar que não confio muito nas previsões dos economistas. Basta ver o resultado do trabalho dos que são guindados para tocar o ministério responsável pela área econômica. Todo santo dia ouço ou leio comentário de especialistas em economia criticando o endividamento brasileiro do governo Lula, que está alcançando 80% do PIB do país, principalmente pelos aumentos do salário mínimo e dos aposentados acima do índice da inflaçãom com a Previdência Social consumindo mais de 52% do nosso Orçamento. Aí tomo conhecimento de que os Estados Unidos, que são o nosso sonho de desenvolvimento, acabam de atingir uma dívida pública de 40 trilhões de dólares. São 125,8% do PIB norte-americano. Então os EUA estão quebrados?


MARCIANITAS


A corrida espacial começou quando a Rússia colocou no espaço astronauta Iuri Gagarin. Aí os EUA envidaram seus esforços para passar na frente e levaram o homem à Lua. Agora quem entrou na competição foi a China, que inovou. Enquanto as naves espaciais norte-americans precisam cair no mar, os chineses desenvolveram um foguete que tem a possibilidade de voar de volta à Terra de marcha a ré e pousar tranquilamente no solo. Vamos ver qual será a reação da NASA nesta disputa cujo objetivo é chegar a Marte e ver se existem marcianitas.

 

PRÓPRIOS


Já o foguete de pesquisa brasileiro, o SEBIT, fez-me lembrar do Chico Anísio e sua inesquecível história do Saci Pererê Primeiro. O SEBIT, desenvolvido pela empresa sul-coeana Innospace, foi lançado no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, no dia 19, às 16 horas. O foguete suborbital deveria cumprir trajeto de 100 quilômetros. Mas, apresentou um desvio de trajetória e precisou ser intencionalmente “neutralizado” pela Força Aérea Brasileira, cerca de 35 segundos após a partida. O foguete caiu numa área marítima de segurança predeterminada, sem causar feridos ou danos materiais. Falho o nosso teste para validar tecnologias de navegação e desempenho em voo. Por enquanto o nosso sucesso aéreo continua sendo o 14-BIS, de Alberto Santos Dumont, que, no dia 23 de Outubro de 1906, voou 60 metros a dois metros de altura, no Campo de Bagatelle, em Paris. Foi o primeiro mais pesado do que o ar que conseguiu decolar por meios próprios.





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