AGUENTE

 


Sou nascido no Paraná e, quando criança, volta e meia escutava dizerem que havia dado um pé de vento em Ponta Grossa e outros municípios, inclusive em Curitiba, destelhando casas e causando outros danos. Vai ver que pé de vento era tornado e a gente não sabia. Agora tornado tornou-se palavra do vocabulário popular e o Paraná vem se destacando. Num período de apenas 3 dias aconteceram 6 tornados e em 2026 já são 9 acumulados. Desse jeito não há Ratinho que aguente.


IGUAÇU


Por falar em Paraná e em Ratinho, a federação União Progressista, formada pelo União Brasil e o Progressistas (PP) oficializou apoio ao deputado estadual e ex-secretário Sandro Alex (PSD) na disputa pelo governo estadual. A decisão fortaleceu o projeto de sucessão do governador Ratinho Júnior e representou mais um revés para o senador Sérgio Moro, também pré-candidato e que não conseguiu o respaldo da federação antes de migrar para outra legenda. Moro deixou o União Brasil e filiou-se ao PL, querendo a benção de Jair Bolsonaro do qual se afastou depois de ter sido escurraçado do Ministério da Justiça. A mudança pode lhe custar o sonho de ocupar o mando no Palácio Iguaçu.


PRESIDENTE


Com o Centrão abandonando o barco pilotado por Flávio Bolsonaro, acho suspeito o resultado de uma pesquisa da Real Time Big Data que aponta Ronaldo Caiado como o candidato com possibilidade de derrotar o Lula. Conforme publicação da Gazeta do Povo, no primeiro turno Lula aparece com 40% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 33% e Ronaldo Caiado com apenas 7%, dois pontos percentuais atrás de Renan Santos. No segundo turno, porém, a coisa muda de figura. Lula derrota Flávio por 45% a 42%, Romeu Zema por 44% a 38% e Renan Santos por 44% a 35%. Com relação é empate técnico com vantagem para Caiado. Lula 43% e 44% para o goiano. A explicação dada é pelo fato dele ser o candidato com menor rejeição e que herda a maioria dos votos bolsonaristas, que querem a derrota do atual presidente.


FEMININA


No Ceará, Ciro Gomes, rifado pela ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, sinalizou que vai dar apoio a Ronaldo Caiado e a Renan Santos. Simplesmente deixou Flávio Bolsonaro fora de menção. Michelle assumiu o PL Mulher, com cargo remunerado, e viajou pelo Brasil formando lideranças femininas, tornando-se protagonista. Como não teve o reconhecimento da cúpula partidária e nem dos enteados, decidiu abandonar a presidência do PL Mulher e declarou que pensa em não se candidatar ao Senado pelo Distrito Federal. Disse que sua prioridade é o seu papel de esposa, mãe e cuidadora do marido. Entrega seu destino à mão de Deus e a uma conversa com o seu amado. Todavia, ela antecipou em oito meses o lançamento do seu projeto “Imparáveis” que estava programado para 2027. Como novo perfil para as redes sociais vai manter mobilizada sua rede de apoiadoras e lideranças femininas fora da estrutura institucional da sigla. A página usa a imagem da Mulher Maravilha como símbolo da resistência feminina.


ACABADOS


Com o voto de André Mendonça, que é pastor da Igreja Presbiteriana, o STF alcançou maioria para anular doação feita por fiel em Minas Gerais para a Igreja Universal do Reino de Deus. Ele acompanhou o voto do relator Edson Fachin e dos colegas Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Os demais ministros ainda não se manifestaram. Com é um julgamento virtual, têm até 5 de Agosto para apresentarem o seu voto. O STF concordou com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais de que a IURD incutiu no doador a ideia de obrigatoriedade do ato, sob pena de sofrimento ou penalidades com fundamentos religiosos, o que configura coação moral irresistível e abuso de direito. Assim deve haver ressarcimento do dano material e do prejuízo moral. A primeira instância condenou a igreja do bispo Edir Macedo a devolver 220,1 mil reais, com juros e atualização, e fixou os danos morais em 12 mil reais. Depois acolheu recurso para excluir duas parcelas e alterar o cálculo dos juros por danos morais. A Universal recorreu ao STF argumentando que a justiça mineira qualificou o discurso teológico, a pregação religiosa e o rito de arrecadação de ofertas como coação moral irresistível, “invalidando negócios jurídicos perfeitos e acabados”.


NEGÓCIOS


O Supremo já havia negado, neste mês, por unanimidade, outra apelação da IURD que ordenava a doação de dinheiro e bens doados por uma mulher em São Paulo. O tribunal de justiça paulista, em 2021, através de acórdão, determinou o pagamento de 50 mil reais à fiel a título de reparação e mandou devolver “mais de meio milhão de reais e um veículo importado” entregues em doação. Como é barato registrar uma nova igreja e esta funciona isenta do pagamento do imposto de renda, pastores usam o santo nome de Deus para viver na opulência explorando a fé das pessoas. Acertou aquele que pegou o nome do programa Pequenas Empresas – Grandes Negócios e lançou o jargão Pequenas Igrejas – Grandes Negócios.

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